quarta-feira, 7 de março de 2018

Retornarei

No meu nascimento
Morte me deu a mão
Foi a primeira a me segurar no colo
Com um beijo amargo na testa, me devolveu ao mundo

Toda vez que olho por cima do ombro, vejo Morte andando por perto
Uma vida de distância, e também poucos passos
Cada vez mais atenta
E na segurança de ter alguém cuidando de mim
Continuo o passeio.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Da chama, do ser

Acendo uma vela
A chama, convidativa, bruxuleia
Recebe todas as minhas perguntas e anseios
Mas o fogo dança e dança sem oferecer respostas
E assim ofereço-lhe as costas

E na textura áspera da parede
Minha sombra me espera
Levantamos as mãos, entrelaçamos os dedos
Teríamos nós os mesmos desejos
Os mesmos medos?

E me dou conta:
Uma de nós precisa morrer

Deito-me no chão, os olhos abertos
A vela se apaga, o quarto escurece


Entrego-me

domingo, 3 de dezembro de 2017

Lobo

Brinquei com fogo tantas vezes
Em vez de ter medo
Descobri-me piromaníaca 

E quando pensei que andava em círculos
Meus passos errantes descreviam uma espiral
Cada vez mais longe da pessoa que nunca voltarei a ser

E quando pensei que não tinha voz
Matei toda forma de vida ao meu redor
E consegui escutar, pois, um eco de décadas de agonia
Fazendo vibrar cada fibra de meu coração

Tantas vezes no mesmo conflito
Violento, segurando a respiração
Em vez de refém 
Hoje sou o lobo

domingo, 17 de setembro de 2017

Somos os aliens para todo um universo.

Segundo véu

Por trás do véu
A felicidade, embora ainda não soubesse, era palpável
Não me contentei com apenas observar
Segurei-a
Esmigalhei-a
Os cacos tem seus ângulos suavizados pelo véu
Enquanto eu quebro mais e mais
Sem sentir a dor
Uma mancha vermelha surge no tecido
Inicialmente um ponto rubro, contido
Logo tomando toda sua extensão
A primeira gota a cair no chão passa despercebida
Apresentando a leis físicas do líquido para nenhuma plateia
Continuo a destruir

Eco de um eco

Aprendi a gritar para dentro
Ainda escuto os ecos do meu primeiro choro
vibrando ácidos em meu esôfago.

domingo, 2 de julho de 2017

Nautilus

Adentrei-me em minha própria loucura
Um tanto quanto lunfárdica
Fui das risadas ao pranto
E na minha dinâmica
Enterrei-me no desencanto
Quando avistei as mesmas estrelas
E não me vi mais
Refletida 
Nelas